Cecilia

***Bem-Vindos*** E um bom regresso às aulas!!

Saturday, April 22, 2006

A Revolução das letras


O 25 de Abril explicado às crianças


Quem primeiro deu o alerta no Quartel das Letras foi o Cabo Clarim que, farto de tocar a recolher, ou porque não, ou porque sim, anunciou de pronto a hora do motim.

Acenderam-se então os holofotes na parada, saíram as letras a correr da camarata e, quando o Comandante-General se levantou, estremunhado, e veio à janela a toda a pressa, à pressa pediu contas a cada sentinela.
"Mas que pouca-vergonha é esta?", desaprovou, o boca aberta, a língua em tropel:"Que parace que a tropa virou festa no quartel!"

Não se enganava o Comandante, ao megafone, pois já por toda a parte se ouviam toques de caixa, gaitas e trombone. Se alguém o disse, assim o fez.
As letras queriam viver em liberdade, e sem birra, nem desfeita, tinha chegado, desta feita, a ocasião de irem dizê-lo à cidade, por que não?, nem que tivesem de marchar, por terra e mar, contra a nação.
Como o que tem de ser tem muita força, e não cumprir um dever, diz o poeta, é o que há na vida de melhor, logo as letras se fardaram, a rigor, e vai de abrir caminho, numa boa, de Santarém até Lisboa, pondo de aviso Portugal de que, se não mudasse a bem, mudava a mal!
Mas por que havia de se opor, o povo português, a quem tão bem lhe queria?
Como em 1385 e em 1640, a revolta era, de resto, para levar à letra.
Heróis do mar não são heróis da treta.
E já que a pátria, em guerra, assim sofria, cada letra decidiu fazer de Abril um grande dia nos quartéis, derrubar o vinte e quatro/a vinte e cinco, com afinco, e fazer de Portugal, outro país a vinte e seis.
No Quartel das Letras, o Comandante-General é que nem queria acreditar.
Não vai que as letras, alinhadas em coluna, sem demora se dirigiram à capital, estrada fora?
E como ninguém ousou fazer-lhes frente, não tardaram a chegar às portas de Lisboa, cada um por sua vez, pelotões de letras, armados de G-3, e a jurar fidelidade a um jovem Capitão, que os comandava a bem da democracia da nação.
Já do alto do Castelo de São Jorge o sol dardejava o Terreiro do Paço e o Tejo & tudo amanheciam, quando as letras, ao romper do dia, ignorando o que podia acontecer, foram informadas que os Ditadores tinham fugido a correr, de rabo entre as pernas, rumo à fronteira e prò Brasil, apercebendo-se que morreriam nesse Abril, caso insistissem em ficar nos cadeirões de São Bento e de Belém, pudessem lá saber, por ordem de quem.
Foi então que as letras, uma a uma, combinaram avançar prò Largo do Carmo em carros de combate, ainda que isso lhes parecesse um disparate.
Só que Lisboa, nessa noite, não estava pra dormir. Chamou o povo à rua, fez história, ergueu a voz, e cantou vitória, em forma de canção.

Em nome da liberdade,
Foi-se o regime à viola.
Longe de ti, ó cidade,
Deram os tiranos à sola.

Ai deles que não dessem!
Pois mal do Quartel da Guarda veio sinal de rendição, logo as letras, de cravo vemelho na espingarda, se juntaram para decretar a Revolução.
Era o fim da Censura, da mão pesada e dura dos Coronéis, que, daí então, de bico calado e aos papéis, teriam que dar volta ao quarteirão.
E a partir de agora?
Rádios, jornais, televisão podiam já noticiar em liberdade que a Revolução iria ser coisa nunca vista, apesar do povo em festa nem sequer pensar no que iria mudar com a conquista. Cada letra era um soldado, trajado à maneira, e as multidões, do Rossio ao Camões, celebravam o fim da pasmaceira nacional, dando vivas de novo a Portugal.
Onde quer que chegassem, com beijos e abraços recebidas, as letras não podiam ser esquecidas, devendo-lhes, de ora em diante, cada cidadão o direito de ser filho da nação.
Como, além de mandar de guias a velha Ditadura, tinham as letras por missão criar ideias, logo que abriram as portas aos presos políticos nas cadeias, todo o alfabeto passou dos discursos à acção, prometendo Trabalho, Segurança, Habitação.
Isto, porém não era tudo, lá isso não, pois sem Saúde, Cultura, Educação, de nada valeria meter na linha a Reacção. Não perderam tempo, os maganões, que, pelo cheiro, puseram ao fresco o seu dinheiro; quais ricos pobretões a passear como gente bem pelos salões.
Vai daí, antes não fosse, como no conto do vigário, que à primeira quem quer cai, à segunda cai quem quer.
Entre político & militar não há que meter colher.
Pois que revolução, para inglês ver, em português- lá se foi, era uma vez...



Coro das Letras

Refrão

Somos as letras, em alta
Damos nas vistas demais.
Sempre que a língua nos falta,
Fazem de nós meros sinais.

1

Em tempo de liberdade,
Usam-nos como bandeira
Do poder e da vaidade
Que os coroa a vida inteira.



2

Em tempo de escravidão ,
Usam-nos como capachos
Da mais franca reinação
De príncipes, reles e baixos.



3

Trocando as voltas à história,
Irá Portugal onde quer,
Se a revolução for memória
Sempre que o povo quiser.

Autor-Vergílio Alberto Vieira

P.S-Aqui vos deixo um texto sobre o 25 de Abril de 1974
Espero que gostem do meu texto.
Beijocas
Cecília;)

3 Comments:

  • At 12:26 PM, Anonymous Anonymous said…

    Olá Cecilia!!!
    Parabéns o teu blog está muito fixe!!!
    Continua assim! :)

    Ana Patrícia :)

     
  • At 12:30 PM, Blogger Cecilia said…

    Obrigada Aninhas.
    Beijocas
    Cecília;)

     
  • At 7:32 AM, Anonymous Anonymous said…

    O texto está muito fixe

    Parabéns Cecilia.

    Vasco

     

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